A mulher sem nome

Era um final de semana de inverno, daqueles assim nublados, temperatura baixando, o sol tímido entre as nuvens, querendo se impor, mas sendo fraco para aquecer àqueles que insistiam em ficar ali, em frente ao lago, olhar distante, buscando uma resposta para aquela que parecia ser uma pergunta tão simples, mas quase impossível de responder. Entre eles, executivos bem sucedidos, matemáticos famosos, estudantes brilhantes e muitos, muitos curiosos. No palanque, alguns metros atrás, escondida atrás de um sorriso matreiro, forjado por mais de 6 décadas de luta, vitórias e derrotas, vibrava a “mulher sem nome”, aquela que ninguém sabia de onde tinha vindo e tampouco o por que ali estava.

Sim, ela não tinha nome, como muitas mulheres, anônimas, que desde a mais distante era conhecida pelo ser humano, batalha para conquistar o seu espaço, tão negado e tão restrito a “seres” que as subjugam e as tentam colocar em um plano inferior. Mas ela, ahhh, ela era diferente! Desde a mais tenra idade soube entender que o papel feminino não se restringia a cuidar da casa, do marido, procriar. Não, nada disso, ela tinha sonhos e fez desses sonhos uma realidade, nunca de forma fácil, nunca de forma que fosse aceita. Pelo contrário, aos 25 foi praticamente expulsa de casa, por ser “reacionária, moderninha demais”, de acordo com seu pai. Como podia, naquela época, querer discutir política, falar sobre futebol, criticar o machismo?

Mas, como toda mulher, foi persistente, heroica, inteligente, e foi à luta e usando todas as armas às mulheres dadas pelo Universo, conquistou seu espaço. Foi namorada, mãe, esposa, dona de casa, trabalhou na produção, no escritório, escreveu livros, dirigiu caminhões, votou, se candidatou, perdeu e se reergueu, foi executiva... tudo isso sem perder o bom humor, a alegria de viver e essa força, única do sexo feminino, capaz de mover montanhas, de gerar a vida e de, ainda assim, ser capaz de sorrir, se arrumar e encantar o mundo.

A mulher sem nome não era uma, mas todas, não era única, mas várias, o símbolo de alguém que faz 2, 3, 4 jornadas, e nunca, nunca desanima, pois a elas foi dado um poder que é inimaginável aos pobres representantes do sexo masculino, de fazer 100 coisas ao mesmo tempo, fazê-las bem feito e ainda dizer: “foi fácil”.  Na memória da mulher sem nome ainda estavam frescas todas as vezes em que foi humilhada por ser mulher, por ter sucesso, por ser feliz, por ser... melhor que qualquer homem. Mas ainda assim ela sorria, aquele sorriso matreiro, da vivência e da experiência, da força e da vitória, sorriso que só as mulheres podem dar, pois só elas sabem a resposta para uma pergunta tão simples, mas quase impossível de responder. Por que, no fundo da alma, das entranhas do coração e de uma capacidade intelectual tão superior, polvilhadas com toda a bondade do mundo e um poder de perdoar e superar qualquer obstáculo, somente a mulher é capaz de saber, sentir e respirar o verdadeiro significado da felicidade.

E, assim como todos na beira daquele lago, olhares perdidos, também sigo buscando uma resposta, sem encontra-la, e, por isso, eu desejo a vocês, mulheres de todo o mundo, 365 dias de muito sucesso e alegria e que possam, do alto de sua humildade, perdoar nossa ignorância e, quem sabe, nos dar uma pequena porção de sua sabedoria para que possamos sentir um pouco dessa felicidade imensa que é a de ser: MULHER.

FELIZ DIA DAS MULHERES.

Luiz Totti


 



Escrito por Luiz Totti às 20h03
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