O Quintalão e a Panela

Você já ouviu falar em Quintalão? Esse termo, novo para mim, surgiu em uma conversa filósofo antropológica com nossas amigas do Photobar DT!up em Salto e remete à cultura dos italianos que se instalaram na cidade e construíram a Vila Operária (mais detalhes no site http://www.salto.sp.gov.br/museu/virtual/vila.html). O objetivo dos quintalões era criar um espaço comum para que as famílias convivessem tranquilamente e protegessem sua cultura. Não sou expert no assunto, não pretendo sê-lo e tampouco tirar conclusões sem conhecer os fatos, mas me dou a liberdade de entender que, de forma consciente ou inconsciente, acabavam criando seus núcleos fechados de acordo com suas similaridades e fechando-se a grupos externos que tentassem “invadir” esses Quintalões.

Não pude deixar de pensar, no mesmo instante, no fenômeno “panela” que ocorre na grande maioria das corporações e sobre as similaridades que existem entre os dois conceitos. Se nos Quintalões os italianos se fechavam em seus grupos étnicos, nas empresas os indivíduos acabam se aproximando por critérios nem sempre tão claros e nem sempre com boas intenções. Em ambos os casos os grupos de indivíduos buscam preservar seu espaço e suas ideias, culturas e formam “famílias” maiores e mais complexas, criando um aspecto protecionista e paternalista de preservação mútua.

O ponto em que os fenômenos diferem entre si está em um ponto que eu considero um dos maiores inibidores da motivação: se antigamente, apesar de serem vários (quatro no caso de Salto), os Quintalões tinham um único objetivo, que era desenvolver a Brasital e estabelecer a cultura na comunidade, as “panelas” normalmente possuem ideias conflitantes e objetivos diferentes, o que acaba criando uma dificuldade ainda maior para a Liderança.

Existem várias formas de se lidar com esses grupos que se formam naturalmente e depende muito das circunstâncias em que surgiram e qual a conjuntura atual da empresa. Entretanto, é preciso reconhecer que eles possuem muitas virtudes, força e poder de influência e podem, sim, ser úteis à organização. Cabe ao líder, então, identificar os grupos existentes, suas culturas, personalidades, valores e atitudes e encontrar a melhor forma para quebrar os muros desses “Quintalões” e fazer com que as diversas “panelas” possam, então, aprender umas com as outras, misturar os elementos, formar um conjunto e subir alguns degraus nas escalas do comprometimento e da performance!