Que Rei sou eu?

Quantas vezes, seja em conversa informal com seus pares, durante processos de entrevistas, bate papo com um novo Diretor de RH não surgiu a pergunta: Qual seu estilo de liderança? Eu sempre respondia imediatamente que eu era um líder democrático, que consultava as bases, etc e tal mas, logo na manhã seguinte já me via chamando a equipe e dizendo o que eles deveriam fazer... non sense? Talvez... mas vamos aos fatos.

Didaticamente existem três tipos de liderança, o Autocrático, o Democrático e o Liberal, como bem descritos pelos maiores gurus da Administração, e quase todos concordando até nas vírgulas sobre suas características, que resumo abaixo:

Líder Autocrático: o líder diz onde se tem que chegar, determina as regras e as faz cumprir, com pouco espaço para diálogos e debates. Segundo os livros, é um estilo que impacta negativamente no espírito da equipe e com níveis muito altos (e parecidos) de produtividade e desmotivação. Já ouvimos boatos de subordinados que toda Sexta Feira acabava no ambulatório com pressão alta e ia embora antes do almoço... algumas vezes, em duplas!

Líder Liberal (Lessez Faire): delegação quase que completa das tarefas, o líder só diz onde tem que chegar e o time faz o resto. É um estilo em que os membros da equipe têm um ótimo relacionamento, de muita confiança e até brincadeiras. Dizem que muitas vezes ninguém sabe nem onde o líder está e, por isso, muita gente aproveitava a Sexta Feira a tarde para ir pescar...

Líder Democrático: o líder diz onde se tem que chegar, mas pergunta à equipe qual o melhor caminho para se chegar lá. Com um líder assim as equipes geralmente produzem bem e felizes, se motivam a participar e os resultados costumam aparecer com mais tranquilidade. Só que não sei se é verdade, mas comentavam por aí que em casos não muito raros, funcionários se frustraram por que o líder não os consultou sobre a cor da gravata que iria utilizar...

Brincadeiras à parte, estudos indicam que o Líder Democrático é o que mais resultados consegue e tem as equipes mais motivadas. Entretanto, eu ando um pouco na contra mão dessa conclusão, principalmente nos dias de hoje em que o ritmo e o senso de urgência estão de uma maneira nunca vista dantes no quartel de Abrantes. Hoje em dia, nesse Novo Mundo, agarrar-se a um único estico é um suicídio lideracional e, por isso, caminho na mesma direção dos que hoje exaltam a Liderança situacional e a Emergente. As duas funcionam muito bem, mas não são, necessariamente, novos estilos de liderança, pois a primeira pressupõe que um Líder encontre o equilíbrio entre os três estilos clássicos dependendo do momento e da equipe e o segundo, ao emergir em situações críticas, necessariamente deverá usar também algum dos 3 estilos, ou os 3 ao mesmo tempo com personagens diferentes. Hoje a urgência substituiu o planejamento em muitos casos, os bombeiros são mais utilizados que os estrategistas e, por essa razão, está havendo um certo abafamento dos talentos que precisarão de muito apoio de seus líderes para estarem prontos quando um novo ciclo se iniciar, e é aí que entra o mais moderno estilo de liderança: o Líder Coach! Que não pode, entretanto, perder o foco no aqui e agora, sendo autocrático, liberal e democrático nas doses corretas.

E assim, amigos, quando hoje te perguntarem “Que Reis és tu?”, responda sem medo de ser feliz: Diz-me quem são meus súditos, que eu os lidero e os desenvolvo!!!