O imperfeito da perfeição * - Publicado em 03/02/2011

O ser humano, em sua maioria e excluídas as exceções, passa a vida lutando, ou sendo cobrado, para chegar à perfeição. Isso se aplica a todas as fases da vida e a todos os papéis desempenhados. Quem poderá dizer que é mentira que desde crianças, para não dizer desde o berço já aprendemos quase que intuitivamente, o significado da palavra benchmark?

Mas o que é a perfeição? Usando o paralelo com o futebol, talvez a perfeição seja o time do Barcelona, uma verdadeira sinfonia em campo; alguns podem até me contestar, mas, na grande maioria das vezes, o time resolve o jogo de tal forma que, para o expectador a emoção se acaba. A partir de determinado momento, todos já sabem o que irá ocorrer, que dificilmente haverá uma surpresa, que não haverá alteração significativa no andamento e, portanto, nada de novo ocorrerá. Eles vencem, é fato, mas o jogo fica chato prá caramba.

Sim, a perfeição é chata! Pense naquele seu colega de trabalho que tudo sabe, que nunca está errado, que jamais comete um único equívoco sequer. E se vangloria disso. Chato! Poderia ser seu filho, sua mãe, sua esposa! Chatos! A perfeição é imperfeita pois transmuta-se em arrogância. Falta a humildade e isso leva ao desgaste e ao afastamento.

E uma equipe perfeita? Chata? Não, a equipe perfeita é o sonho de todo e qualquer gestor que busque times de alto nível de comprometimento e desempenho. Entretanto, a perfeição pressupõe que, dentro de um determinado ambiente ou em comparação a determinados sistemas. Por isso, uma grande armadilha para um líder é acreditar que sua equipe atingiu o ponto máximo de desempenho e que, portanto, não há nada mais a se fazer. O próximo passo é não acreditar mais nos riscos, deixar-se levar pela rotina e adormecer em berço esplêndido. E o seguinte, provavelmente, fracassar.

Há muito tempo ouvi um dos muitos líderes que já tive dizer que, se uma pessoa está há 20 anos em uma empresa e durante esses 20 anos fez, de forma perfeita, todos os anos exatamente a mesma coisa, ele possui um ano de experiência e 19 anos perdidos... ele já sabia que a perfeição era imperfeita. E chata!

É esse o sentimento que me leva a gostar tanto de provocar mudanças e estimular a minha equipe a não se acomodar, a buscar o desenvolvimento e o crescimento, a olhar as coisas sob diversas perspectivas. Por essa razão é que eu não quero nunca ter uma equipe perfeita; quero uma equipe inquiridora, desafiadora e que não busque superar os seus limites, mas, sim, criar novos limites a cada dia.

 

*Baseado em texto de John Carlin, publicado na Folha de São Paulo, versão impressa do dia 25/01/11



Escrito por Luiz Totti às 16h33
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Você já alimentou o seu verme interior hoje? – Publicado em 09/02/2011

Ah, venenos... venenos de dentro e de fora, propositais ou não, fatais ou simplesmente molestos... mas sempre venenos. Dia após dia lutamos e enfrentamos situações que nos entopem e entorpecem... pequenas gotas destiladas de veneno disfarçadas em embalagens as mais diversas, como pressões, críticas “construtivas”, “sugestões” e aquele famoso “só estou tentando te ajudar”! Isso quando não aparece aquele cartaz dos jogos de futebol dizendo “eu já sabia”, mas nesse caso, ao contrário, para celebrar a desgraça alheia.

Essas pequenas doses entram em nossa corrente sanguínea e chegam diretamente a um ponto específico de nosso cérebro, perdido em algum canto dos lobos cerebrais, onde fica escondido o nosso verme interior. Sim, todos nós, inclusive eu e você, temos um verme interior que se alimenta desse veneno que ingerimos.

Esse pequeno ser parece ter vida própria, pois não podemos controlá-lo e, quando bem alimentado, torna-se um verdadeiro monstro: a primeira coisa que ele faz é ativar o sensor do nosso hipotálamo, a nossa glândula da sobrevivência, do instinto, que faz com que imediatamente após a primeira gota de veneno que ingerimos (primeiro estímulo) tenhamos uma reação, daquele tipo que 5 minutos depois pensamos: “eu não devia ter feito ou falado isso”. Inevitável, meu caro Watson... será? Mesmo? De verdade?

Na verdade, o verdadeiro tratador desse verme somos nós mesmos, pois, nascidos ditos seres humanos, imperfeitos somos e portanto, vulneráveis a estímulos negativos e, geralmente, dentro de NOSSA perspectiva, peçonhentos; e o ambiente é cruel, frio e focado em resultados, criando muita competição e concorrência, o que estimula a livre distribuição de doses de venenos que vamos recebendo sem perceber e, quando nos damos conta, já estão lá, alimentando nosso hóspede indesejado. E o curioso dessa história é que, quanto mais alimentado ele está, parece que mais alimentos nós damos a ele, e nos faz sermos atrozes conosco mesmo, pois, nesse momento, ainda que alguém nos ofereça um antídoto, uma estranha reação química faz com que transformemos o eventual remédio em mais veneno, que leva o vermezinho a crescer ainda um pouco mais... e começa a roda viva... é muito difícil fazê-la parar.

Por isso, o mais importante é lutar imensamente para evitar tomar a primeira dose de veneno e, se isso vier a ocorrer, buscar artifícios que impeçam o nosso verme interior de aumentar de tamanho e potência. Saia do ambiente em que está, dê uma caminhada, faça algo divertido, leia um livro, ligue para a pessoa que você ama... e só então retorne para o ponto onde estava. Não permita que ele cresça e vire um monstro... pois monstros só existem se nós os criamos.

Agora, o mais chocante: esse pequeno verme interior, somos nós mesmos, uma parte de nossa personalidade, ainda que irracional muitas vezes, letal outras tantas, mas definitivamente estúpida. E se deixamos esse nosso lado se desenvolver, o monstro que criamos somos, na verdade, nós mesmos. E a única coisa que esse monstro consegue destruir é a sua motivação, a sua vontade de resolver e a sua saúde.

Por isso, não alimente o seu verme interior.



Escrito por Luiz Totti às 16h32
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Dúvida cruel: o talento ou a lealdade? Publicado em 4 de Julho de 2011

Todo mundo já vivenciou, alguma vez na vida, um grande dilema (o mais famoso no imaginário popular é: caso ou compro uma bicicleta??? Já faz tempo que não pedalo.. rsrsrs) e, na vida corporativa, o do título certamente é um dos que já deve ter aparecido se não uma, possivelmente várias vezes.

Sabemos que, na hora de recrutar ou promover, sempre o talento será determinante para a tomada de decisão, e isso envolve não somente o potencial do indivíduo mas também sua ambição e, principalmente, sua entrega de resultados. Porém, há outros aspectos comportamentais e de personalidade que são absolutamente importantes na definição da equipe e no seu planejamento de médio e longo prazo, e, entre eles, o principal, para mim, é a lealdade (como me ensinou um grande líder que tive).

Vejam o suposto exemplo: um jovem talento procura o seu líder, após 7 meses na companhia, com o intuito de conhecer o seu plano de carreira, pois está absolutamente interessado em se desenvolver, pois finalmente encontrou a “minha casa”. Discutem-se valores, missões, alinham-se expectativas e se traça um plano de desenvolvimento e ali se tem ambição nível máximo, alto potencial e performance ainda por se avaliar, fórmula perfeita para um profissional de futuro. Menos de uma semana depois esse mesmo indivíduo se demite pois recebeu uma proposta de trabalho que sempre foi o “sonho” da vida e, em menos de 24 horas abandona todo o trabalho e deixa o resto da equipe a ver navios, sem dar tempo à uma saudável transição.

Claro que isso não acontece no Brasil, talvez na Austrália ou na Indonésia, mas e se isso realmente acontecesse em sua equipe? Qual o seu sentimento? Quais as lições aprendidas?

Bem, posso dizer, sem chance de errar, que o sentimento é de impotência, em primeira instância, frustração em segundo lugar e, finalmente, após a racionalização, o alívio. Sim, alívio por isso ter ocorrido apenas após 7 meses e não após alguns anos de investimento no desenvolvimento.

As lições aprendidas poderiam ser realmente muitas, mas a principal delas seria a de que, em uma contratação ou promoção, o aspecto técnico deve ser levado muito em conta, pois esse é o arcabouço do desenvolvimento, mas o equilíbrio emocional, a capacidade do indivíduo de ler e entender o seu futuro dentro da organização, a valorização da equipe e a ética na maneira de lidar com as alternativas da vida devem ser mais bem avaliadas.

Como já dizia meu velho mestre, quando chegar o momento difícil, faça a opção pelo indivíduo que lhe seja leal: ele estará ao seu lado e te ajudará nas piores situações que você possa imaginar. O talento puro olhará primeiro para o seu próprio “sonho” (traduza-se “umbigo”) e na primeira oportunidade abandonará o barco, deixando você, líder, e a sua equipe na mão. E quando você precisar de um especialista outra vez, será muito mais fácil de encontrar do que construir a relação de lealdade, que pode levar anos e não se avalia na seleção.

Eu, entretanto, sigo com meu ponto de vista, minha meta como gestor, que é encontrar uma maneira de desenvolver no grande talento a lealdade necessária para que acredite na estratégia e esteja ao seu lado em todos os momentos.

Se alguém souber essa receita, por favor, deixe o comentário.

 



Escrito por Luiz Totti às 16h30
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A República do Odeio – Publicado em 16/09/2011

Há muito tempo tenho o hábito de ler blogs nos portais de internet, uma maneira rápida de me atualizar (principalmente das notícias do esporte) e de observar a multiplicidade de pontos de vista. Porém, ultimamente, tenho ido a esses sítios com o objetivo de ler e tentar entender os comentários postados pelos leitores dos blogs. Se você nunca fez isso, que o faça... Leia o texto, interprete-o e depois vá para a leitura dos comentários. Chega a ser hilária a forma como uma imensa maioria de leitores agride e é agredida simplesmente por concordar ou não com uma opinião! A paixão clubística ou a antipatia com relação ao blogueiro é tão grande que, para uma grande maioria, impede a compreensão do que lá está escrito (se é que o nível das pessoas que por lá vão não é realmente baixo de tal forma que não haja capacidade de compreensão). E aí, institui-se a república do “Eu odeio”. Eu odeio você, odeio os torcedores do seu time, odeio sua opinião, odeio o esporte que você gosta, etc, etc, etc. Aí você pode pensar que 99% dos admiradores de esportes no Brasil são fundamentalmente fãs de futebol e muitos deles com um grau de instrução relativamente “truncado”, o que favoreceria a criação dessa república. Outro dia tive a oportunidade de almoçar com colegas de trabalho de outra unidade de negócio com quem não tenho contato freqüente e, portanto, não conheço suas opiniões a respeito da empresa, da vida, de nada. Pessoas de alto nível de instrução, com conhecimento de mais de 1 idioma, comunicativos, talentosos, enfim, executivos de uma multi nacional.

Para minha surpresa, o centro da conversa era o quanto a Companhia e a vida eram ruins!!! Juro que me senti extremamente desconfortável... a política de carros não é boa, o plano de saúde é um desastre, o fluxo de informações mata a venda, ninguém se comunica, o salário não é lá essas coisas, o país é uma porcaria, e por aí vai. Em determinado momento perguntei: e o que vocês estão fazendo para mudar isso? Silêncio total!!!!

Ali senti que o boleiro é uma forma de cultura tupiniquim que traz para dentro das organizações esse conceito de que tudo é ruim, que nada é feito para mim... e sabe o que fazem para mudar? Nada! Ficam como vermes tentando insuflar o outro, gerar no outro a revolta necessária para se colocar contra tudo, o carimbo no passaporte para ingressar na República do Odeio.

Eu sou da opinião que, se não há nada de bom a ser dito, que nada seja dito! A palavra é um imã que atrai para nós mesmos aquilo que externamos. Criticar o tempo todo fará, certamente, com que um indivíduo se torna ainda mais revoltado e, conseqüentemente, mais míope para enfrentar o que desagrada e procurar a mudança.

Se você é do tipo que passa o dia procurando o que criticar, algumas perguntas que espero que me responda:

Se a empresa que você trabalha é tão rui assim mesmo, o que você ainda está fazendo nela? O mercado não te aceita o seu medo te impede de buscar novas oportunidades?

Talvez você realmente veja necessidade de mudanças, o que é fundamental para a sobrevivência de qualquer organização. Criticar pelos bastidores, escondido pelo anonimato tal qual um comentário em um blog vai ajudar a mudar? Que tal uma conversa franca e aberta com o seu colega e/ou com seu supervisor?

Se você é viciado em críticas, e continuará a fazer o que tem feito sistematicamente, 2 conselhos:

1 – Não fale tão alto... o Universo pode ouvir e tirar tudo aquilo que você reclama.

2 – Cuidado perto de quem você fala... ele ou ela podem ser seu chefe amanhã. E certamente lembrarão dessa conversa.

 

 



Categoria: Administração Geral
Escrito por Luiz Totti às 15h57
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O médico, o mestre e o monstro (uma história de aprendizado real) – Publicado em 16/09/2011

Ah, meu Deus, outra crítica???? Quantas vezes você não saiu de uma reunião ou de um conference call com seu superior com essa frase pipocando na cabeça? E, logo depois, qual foi o primeiro sentimento que veio em sua cabeça? Não, não precisa responder, acho que todos nós sabemos a resposta: sensação de impotência, de frustração (para não dizer raiva) e, até algumas vezes, de revolta pela “injustiça” praticada. E não interessa em que empresa, nível ou momento de carreira você esteja, com mais de 90% de certeza já vivenciou vários momentos assim.

A crítica, em si, não é necessariamente um mal, desde que se utilize, sobre ela, alguns filtros relativos a determinados conceitos (ou pré-conceitos) por parte de quem a emitiu. Vamos a eles

1.       O filtro da razão: este é útil para que se descarte a emoção de quem recebe a crítica, pois temos a tendência instintiva de reagir em vez de responder e recebemos a crítica como uma agressão. Fato é que quando alguém (em especial seu chefe) emite um parecer, é por que existe uma insatisfação, latente ou real, que você talvez não reconheça existir. Com esse filtro, você faz perguntas, procura entender melhor a opinião do outro, evita o confronto, e pode responder de forma muito mais inteligente.

2.       O filtro da percepção: use-o para eliminar o pré-julgamento, não leia no outro somente os conceitos criados por si próprio, perceba-o como um ser humano, que avalia de acordo com sua personalidade e experiências anteriores. E, por isso mesmo, com uma visão diferente da sua. Filtrando, você poderá aprender um novo caminho, poderá desenvolver uma nova forma de avaliar e decidir.

3.       O filtro da flexibilidade: para que você se adapte às situações; por trás de cada crítica, seja ela qual for, um ensinamento será encontrado. A crítica dói por que te expõe a uma situação com a qual você, muito provavelmente, não concorda, um ponto de vista completamente diferente. Se vier de sua equipe, filtre para tentar entender se você não está extrapolando o limite, ou usando o remédio errado. Se vier de um par, filtre para entender o que pode estar incomodando-o, se o ameaça, se o assusta. E, se vier de seu chefe, filtre para ler nas entrelinhas da crítica o que ele está tentando te ensinar.

Do ponto de vista semântico, a crítica é descrita como “apreciação minuciosa; apreciação desfavorável”(1) e você pode optar por enxergá-la da maneira como entender. Do ponto de vista prático, há a tendência de ver em seu crítico (principalmente se for o seu chefe) um “monstro”; porém, usando as lentes, você pode facilmente transformar esse monstro em um mestre, que te mostra algo que talvez você não esteja vendo, ou um médico, que está prescrevendo, de alguma forma, um remédio para um mal que você ainda não pôde perceber, mas que pode até mesmo te matar dentro da organização.

(1) Dicionário on line Michaelis (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues)

 



Categoria: Administração Geral
Escrito por Luiz Totti às 15h33
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