Sobre deitar eternamente em berço esplêndido... Ou os sustos na montanha-global

Depois de um bom tempo sem postar, não poderia haver melhor título para esse novo texto do que o que eu escolhi... Não se trata de uma dissertação em relação ao nosso Hino Nacional, mas sim um texto sobre como a vida corporativa pode ser uma grande e suculenta, truculenta montanha-russa, que de russa nada tem, montanha-global deveria ser o nome mais apropriado. Qualquer semelhança com a realidade de qualquer um de nós é mera coincidência.
Você é um executivo de sucesso e consistentemente obtém os resultados que a empresa espera e sua carreira progride com base em sua capacidade de liderar e de integrar a equipe e gerenciar situações complexas. Nesse momento, você está naquela parte da montanha-global em que o carrinho-carreira aponta para cima, bem devagar e você pode curtir a vista e nem imagina o que está pela frente. Depois vem a parte plana, bem lá no alto, de onde você enxerga a tudo e tem o controle sobre o movimento; aparentemente!
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Muitas vezes (nem sempre, é claro), após um período de grande esforço e dedicação, seguido de conquista, recompensa e reconhecimento, há uma estagnação, uma acomodação com o sentimento de que se tem o controle sobre tudo o que está ao seu redor. É nesse momento que o ser humano em seu papel de executivo tende a cometer um erro que pode ter sérias conseqüências: se esquece do controle, abandona, momentaneamente, o foco na performance para poder curtir esse momento tão bom em sua carreira, as novas perspectivas e desenhar um novo plano de crescimento.
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Quando tudo parece estar brilhante, quando o reconhecimento está em todas as partes, de repente, o chão desaparece e vem a queda. Diferentemente do brinquedo, a queda na vida corporativa não está necessariamente sobre os trilhos e pode ser causada por inúmeros fatores, externos (crises, inflação, eventos de força-maior), internos (mudanças na gestão, problemas de comunicação, mudança de foco) e, por que não dizer, íntimos. E é aqui que quero concentrar nosso bate-papo. A forma como a queda ocorrerá (e ela ocorrerá, acredite em mim!) dependerá muito de como o foco foi mantido nas fases anteriores. Como no brinquedo, a queda é previsível, embora não se saiba precisar o momento em que ocorrerá, mas se você tiver a certeza de que sob o seu carrinho haverá trilhos para te manter no caminho da nova retomada, o máximo que você sentirá será um imenso frio na barriga, um suor nas mãos, mas sairá bem; caso contrário, a queda pode até mesmo ser fatal... E, por saber que é previsível, deve-se ter a certeza de que as informações do negócio estão sob controle, que a comunicação esteja fluindo corretamente, que as funções críticas estejam ocupadas por indivíduos de alta performance (e garanta que estejam identificadas e ocupadas...) e que a equipe esteja necessariamente sentada no mesmo carrinho.
E se por um acaso for tarde demais e a queda chegar quando você estiver deitado em berço esplêndido, faça o possível para amenizar a queda, atue assertivamente, retome os controles, aceite ajuda de outros (dentro e fora do seu grupo), agregue sua equipe e recoloque o carro nos trilhos antes que ele se arrebente no chão; é possível, sim!
O carro (sua imagem na corporação) certamente não estará mais com a pintura reluzente e certamente apresentará alguns arranhões e amassados, mas agindo de forma consciente e contando com o apoio da equipe e da organização, você terá tempo de consertar e torná-lo tão ou mais bonito do que era antes enquanto a subida recomeça.
Mas lembre-se: outra queda virá. Por isso, quando puder outra vez respirar tranqüilo e começar a se sentir seguro, é essa a hora de olhar sua rotina e ver se pontos importantes não estão sendo deixados de lado. Observe, ouça, perceba os sinais e crie um ambiente de confiança e diversão...  Como no brinquedo, é possível, sim, se divertir na montanha-global do mundo corporativo.